Foi muito bom

Foi bom tomar a tua cabeça entre as mãos, acariciar os teus cabelos. Tocar-te o rosto, lendo braillemente a iminência do consentimento. Ver o sorriso calmo e seguro. Ler o “sim” nos teus olhos. Foi bom o beijo sem pressa, sem a avidez dos sedentos. Foi bom o longo abraço: novo laço. A oportunidade para sentir, pele a pele, o calor incipiente, a chama acesa do desejo. Foi bom brincar de ternura; palmo a palmo, descobrir os caminhos do teu corpo, a leve reação dos músculos a cada toque, os sinais de suave rendição. Foi bom o tácito pacto de entrega incondicional. Foi bom perder a noção de tempo e de espaço. Foi bom ser apenas respiração ritmada, livre inspiração, transpiração delicada. Foi bom saber gostos, cheiros, súbitos arrepios… Mais a música inesperada. Foi bom dançar até esgotar todas as possibilidades de prazer. Foi bom ceder, enfim, ao doce cansaço.


Foi bom o sono lado a lado. Foi bom o despertar, sem máscaras, no dia seguinte. Foi bom o riso da inaugurada cumplicidade. Foi bom o beijo grato.

Foi muito bom recomeçar a festa das nossas almas nuas.

Bibi Fiuza

No começo, era Maria Beatriz, criatura da safra de setembro de 1948. Dez anos depois, mais ou menos, foi a Kuri que se encantou pelas palavras, desandou a escrever poesia até se tornar, por volta dos 20 anos, a "menina-poeta" de Vinícius de Moraes. Sua história está em seis livros de poemas, mais um em prosa, além das participações em antologias e, recentemente, numa coletânea de contos infanto-juvenis. Em 2011, exatamente, surgiu Bibi Fiúza. Veio para se espalhar no Facebook... Ora, que coisa, não é?! Sabe-se lá por quê -- quem dirá? --, foi ganhando a primazia e, de repente, assumiu bons-dias, boas-tardes, boas-tardes. Maria Beatriz não desapareceu: é a cidadã, com certidão de nascimento, documentos numerados, responsabilidades; estudiosa, formou-se em Psicologia, na falecida Universidade Gama Filho (1973), e em Comunicação, na PUC-RJ (1979). Kuri permanece: é quem existe como eixo identitário, a entidade pensante, falante e brincante. E Bibi... Ah, a Bibi Fiúza! Diz-se matusquela, garante que é má e não presta, presume-se intelectual à moda antiga... Velhinha, lembra, esquece, mistura saberes da vida inteira na cabeça labiríntica. Talvez, agora, não seja mais do que uma Chutóloga dada a Achismos. Eis a sua, a nossa Bibi Fiúza. Muito prazer, gente!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *