Garotinhas

Garotinhas, cheirando ainda à fralda com xixi, batendo pestanas para garotinhos cujos saquinhos são mera promessa… Pra mim, não dá.Milhares de pré-adolescentes e adolescentes a entenderem o sexo como esporte, diversão ou escape… Pra mim, não dá.

Mocinhas enroscadas em machinhos, sem ambos terem noção do que são sedução, enamoramento e responsabilidade… Pra mim, não dá.

Moças que se fantasiam de gostosas pra conquistar rapazes na balada e, eventualmente, no dia seguinte ao rala e rola, ficarem aguardando um improvável zap… Pra mim, não dá.

Mulheres que estudaram, trabalham e estão ansiosas à espera do príncipe encantado num cavalo branco… Pra mim, não dá.

Outras mulheres que já beijaram mil sapos e, ao avistarem qualquer batráquio avulso, juram que esse é o certo… Pra mim, não dá.

Mais outras mulheres que, apesar da idade e da suposta experiência de vida, se esticam todas, se embonecam e pretendem passar por gatinhas, a fim de fisgar um sujeito que lhes ofereça uma ilusão passageira… Pra mim, não dá.

Ainda mais outras mulheres que se imaginam liberadas, desencanadas, e que se pretendem lobas a solta, prontas para caçar uma presa desatenta e degustá-la… Pra mim, não dá.

Tantas feministonas que fazem tremular bandeiras antimachistas e pisam o primeiro galanteador que lhes chegue com uma flor e fingem que não choram à noite, sozinhas, lamentando não ter alguém pra dormir de conchinha… Pra mim, não dá.

Pra mim, não dá a banalização do sexo.

Não dá que sonhos juvenis, antigas carências, velhas frustrações, inúmeros desacertos sejam resolvidos, num passe de mágica, por meio de um jantar antes e um motel depois.

Não dão relacionamentos aflitos, muito afoitos, numa ânsia ilógica de, enfim, enredar o par perfeito e, ao invés de laços, se formarem nós duradouros.

Pra mim, não dá! Não dá, porque creio no amor. E, de saída, para haver amor, são necessárias inteligência e atenção. O amor exige que, primeiro, haja amizade, afeto, doçura; depois, admiração, ternura, respeito; muito depois, tolerância, paciência, compreensão; e mais depois, total cumplicidade e a certeza de que o sexo pode ter sido muito bom (ou satisfatório), mas serviu apenas para a comunhão de dois seres que souberam se doar um ao outro.

Bibi Fiuza

No começo, era Maria Beatriz, criatura da safra de setembro de 1948. Dez anos depois, mais ou menos, foi a Kuri que se encantou pelas palavras, desandou a escrever poesia até se tornar, por volta dos 20 anos, a "menina-poeta" de Vinícius de Moraes. Sua história está em seis livros de poemas, mais um em prosa, além das participações em antologias e, recentemente, numa coletânea de contos infanto-juvenis. Em 2011, exatamente, surgiu Bibi Fiúza. Veio para se espalhar no Facebook... Ora, que coisa, não é?! Sabe-se lá por quê -- quem dirá? --, foi ganhando a primazia e, de repente, assumiu bons-dias, boas-tardes, boas-tardes. Maria Beatriz não desapareceu: é a cidadã, com certidão de nascimento, documentos numerados, responsabilidades; estudiosa, formou-se em Psicologia, na falecida Universidade Gama Filho (1973), e em Comunicação, na PUC-RJ (1979). Kuri permanece: é quem existe como eixo identitário, a entidade pensante, falante e brincante. E Bibi... Ah, a Bibi Fiúza! Diz-se matusquela, garante que é má e não presta, presume-se intelectual à moda antiga... Velhinha, lembra, esquece, mistura saberes da vida inteira na cabeça labiríntica. Talvez, agora, não seja mais do que uma Chutóloga dada a Achismos. Eis a sua, a nossa Bibi Fiúza. Muito prazer, gente!

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