Lugar de Mulher é onde ela quiser!

Bandeiras feministas são hasteadas. Tremulam a céu aberto. São várias exigências. Certas e justas. Necessárias e urgentes.
Você concorda? Eu, também.
Não devem, porém, ser apenas discurso, blablablá, ideário furado.
Nem arroubos extremados, paroxísticos, grosseiros.
Carecemos inteligência, bom senso, juízo.
São inegáveis a milenar soberania masculina, o patriarcado que se estabeleceu e se fortaleceu, o que talvez se possa chamar de ufanismo machista. São fatos longevos, observáveis, sedimentados culturalmente no mundo inteiro.
Para as mulheres do século XXI, é uma questão de “luta”? Perdoem-me as ativistas, mas não é, não. É muito mais um trabalho de conscientização – ampla, geral, irrestrita. Se levarmos em conta que “mulheres unidas jamais seremos vencidas”, não cabem contradições nessa empreitada. Nem desvios. Tem que ficar muito claro que “respeito é bom e eu gosto”. Lição a ser dada aos homens com delicadeza. E firmeza. E paciência. No tranco não vai dar certo.
Nesse momento, sabedoria é crucial.
É preciso atentar ao fato de que moças bonitas e gostosas, sensualizando, são expostas em peças de publicidade para vender automóvel, cerveja, perfume… O preço do produto pode ser caro, mas a imagem feminina fica parecendo bem baratinha.
Mulheres vestidas para “matar” são atraentes, sedutoras, mas correm o
risco de serem abatidas, porque, se houver um dia da caçadora, por tradição, todos os outros dias ainda são da caça.
Essa urgência de enlaçar homens a qualquer hora do dia e da noite (para, eventualmente, prendê-los entre as grades de um lar e, possivelmente, transformá-los em provedores de uma família) não ajuda em nada a causa feminina.
Mocinhas seminuas a saracotear na night, nas baladas, a provocarem garotos, a permitirem amassos e a passarem de mão em mão? A velhota aqui diz: nananinanão!
Mulherinhas frágeis, burrinhas, dadinhas, que se submetem à macheza de qualquer mequetrefe… Oremos para que não se tornem “posse” do macho nem corram o risco de abusos e de violências.
Por enquanto, porém, mulheres não podem ser, como tantas, machistas e, no mínimo, têm que assumir alguma sororidade. Devem estar atentas às colegas do mesmo sexo, evitando preconceitos baratos, defendendo-as, se for preciso e possível, botando a boca no trombone, caso alguma “irmã” esteja sendo agredida, e negociando tréguas, com a máxima diplomacia, com os parceiros malcriados. (Nesse último caso, se não houver um tratado de paz, a porta é serventia da casa: ela ou ele arruma a trouxa e se manda – sem palavrão, sem lágrimas, sem perdão, sem volta…
Que voltar é consentimento para novos e maiores maus tratos.)

Mulher tem que estudar, trabalhar, desenvolver segurança e autoestima, ser autossuficiente. Tão livre que até possa embarcar num relacionamento. Tão autônoma que até possa programar uma gravidez. Tão independente que possa dar adeusinho ao companheiro inútil – sem chorar pitangas porque ficou só, sem virar vítima porque tem filho para criar.
Agora, o mais importante de tudo! Mães não devem cuidar das filhas como  se fossem princesinhas, para ficarem à espera de um príncipe e, uma vez tendo beijado o sapo, se transformarem em gatas borralheiras. A moça bem educada compreende o quanto vale.
Mães não devem cuidar dos filhos como  se fossem reizinhos mimados, que não sabem pegar um copo d’água na geladeira, não sejam capazes de atividades domésticas, não entendam que meninas não são escravas. O moço bem educado compreende que está pronto para ser um bom parceiro. Mães têm como principal missão dar exemplos de sensatez, equilíbrio, ternura. Ensinarem a filhos e filhas, sobretudo, que fazer sexo não é o único meio para se perceberem homens e mulheres. Homens e mulheres de verdade têm que se saber apenas Humanos. Quando nós, mulheres, fomos capazes de formar as novas meninas e os novos meninos, as bandeiras feministas poderão ser esquecidas. E o mundo será muito melhor.



Bibi Fiuza

No começo, era Maria Beatriz, criatura da safra de setembro de 1948. Dez anos depois, mais ou menos, foi a Kuri que se encantou pelas palavras, desandou a escrever poesia até se tornar, por volta dos 20 anos, a "menina-poeta" de Vinícius de Moraes. Sua história está em seis livros de poemas, mais um em prosa, além das participações em antologias e, recentemente, numa coletânea de contos infanto-juvenis. Em 2011, exatamente, surgiu Bibi Fiúza. Veio para se espalhar no Facebook... Ora, que coisa, não é?! Sabe-se lá por quê -- quem dirá? --, foi ganhando a primazia e, de repente, assumiu bons-dias, boas-tardes, boas-tardes. Maria Beatriz não desapareceu: é a cidadã, com certidão de nascimento, documentos numerados, responsabilidades; estudiosa, formou-se em Psicologia, na falecida Universidade Gama Filho (1973), e em Comunicação, na PUC-RJ (1979). Kuri permanece: é quem existe como eixo identitário, a entidade pensante, falante e brincante. E Bibi... Ah, a Bibi Fiúza! Diz-se matusquela, garante que é má e não presta, presume-se intelectual à moda antiga... Velhinha, lembra, esquece, mistura saberes da vida inteira na cabeça labiríntica. Talvez, agora, não seja mais do que uma Chutóloga dada a Achismos. Eis a sua, a nossa Bibi Fiúza. Muito prazer, gente!

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