Tratamento da agressividade através de Práticas Integrativas: um estudo de caso

Tema apresentado na 16ª Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios no 33º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo – COSEMS


Introdução Acupuntura é uma das práticas da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) que ainda não tem sido explorada em todo seu potencial. Utilizada, frequentemente, para alívio de dores, alguns profissionais ainda não reconhecem seus efeitos rápidos e seguros nas situações de sofrimento emocional grave, seja por desconhecimento, seja por não considerar a distribuição e fluxo energético como um fator desencadeante dos distúrbios físicos e mentais.

No dia a dia de assistência nos CAPS’s, cada vez mais se encontram casos descritos como crises de agressividade que, algumas vezes é considerado como sintoma e outras vezes como um traço da personalidade. Os casos vêm se apresentando cada vez mais precocemente, entre crianças e adolescentes, tendo como etiologia as mais variadas situações biopsicossociais envolvidas.

A agressividade pode ser encontrada dentro de quadros descritos pelo código de identificação de doenças CID X como: Transtorno de conduta, Transtorno Opositor Desafiador; nos distúrbios de humor como a Depressão, o Transtorno Afetivo Bipolar e o Transtorno Explosivo Intermitente. Importa dizer que as crises se agravam pela incapacidade ou dificuldade em lidar com as frustrações diárias, levando o indivíduo a um momento de desequilíbrio emocional intenso, permeado por ações, de violenta expressão física, que podem ser direcionadas tanto para si mesmo como para outras pessoas. Hoje já existem estudos que consideram a agressividade como sendo resultante de fatores genéticos, os quais podem ser comprovados pela alteração na neuroimagem.(TERRA, O.G., 2012)

A partir desses estudos já é possível reconhecer que as áreas cerebrais envolvidas no controle motivacional, na cognição, e na memória fazem conexões com diversos circuitos nervosos, os quais, através dos neurotransmissores, promovem respostas fisiológicas que relacionam o organismo ao meio e também à inervação de estruturas viscerais, as quais são importantes para a manutenção da homeostasia (equilíbrio interno) (ESPERIDIÃO, A. V. et al, 2007).

Os estudos da neurobiologia do comportamento agressivo sugerem que em geral, os altos níveis de agressão estão associados com anormalidades estruturais e funcionais do cérebro. Alguns estudos trazem a relação de anomalias estruturais enquanto outros, associam ao aumento de níveis de glicocorticoides induzidos pelo estresse (provocados pelos maus tratos) no período pós-natal imediato. A análise desses estudos possibilita entender que, quanto mais precoce a exposição a maus tratos, por exemplo, mais precoce a agressividade poderá se manifestar na criança. A agressividade, portanto, tem se estabelecido como uma doença emocional que causa grande sofrimento, de uma vez que afasta o individuo do convívio social e o estigmatiza como: “sujeito violento”, “sem solução”, “delinquente” etc.

Dentro das premissas do SUS para o atendimento a pessoa em sofrimento emocional grave, os CAPS’s lançam mão de vários dispositivos, os quais visam ofertar contorno às situações estressoras e que, juntos, determinam quais aspectos da vida serão cerceados pelo cuidado. O uso das Práticas Integrativas, em especial a Acupuntura, vem somar estratégias de cuidado, de uma vez que se estabelece de forma segura (não produz interação medicamentosa) e eficaz, agindo rapidamente, pois atua restabelecendo o fluxo energético corporal, proporcionando equilíbrio físico e mental, favorecendo reverter o quadro de agressividade e auxiliando a abertura para a escuta em psicoterapia, quando utilizada momentos anteriores às sessões.

O princípio básico da Acupuntura sustenta que o equilíbrio é mantido no corpo humano por meio do fluxo suave da energia denominada de Chi (Qi) pelos chineses. Para a Medicina Tradicional Chinesa, não existe separação entre o corpo, mente e espírito. Desta forma, qualquer desequilíbrio que acomete um dos cinco principais órgãos do corpo (coração, baço-pâncreas, pulmão, rim, fígado) ocasionará um desequilíbrio nos aspectos mentais e espirituais desses órgãos, chamados respectivamente de Shen, Hun, Po, Yi e Zhi. Para Mattos (2012) na MTC as emoções, “como elementos causadores de doenças, são estímulos mentais que perturbam a mente (Shen reside no coração), a Alma etérea (fígado) e a Alma corpórea (pulmão) alterando o equilíbrio entre os órgãos internos e a harmonia do Qi e do Sangue”. Por isso, o estresse emocional é nocivo para o organismo como um todo, pois prejudica os órgãos diretamente.

Segundo Jeremy Ross (1994), o Fígado (Gan) controla o funcionamento harmonioso do corpo, é responsável pelo “Livre fluxo do Qi” e promove a circulação livre e fácil das matérias pelo corpo por isso, participa da regularidade das funções do corpo e da mente.

Diante disso, a abordagem terapêutica, pela Acupuntura pretende trabalhar o equilíbrio do Shen, de uma vez que este seria o responsável por favorecer equilíbrio emocional, através dos pontos citados como: sala da força de vontade (B23, B52) e porta da alma etérea (B47) além de fortalecer e nutrir o sangue, o yin do rim e do fígado e pontos para acalmar a mente. As sessões podem ser acompanhadas por músicas que proporcionam uma aproximação com a quietude, através de sons da natureza e sons de frequência Binaural além do uso de determinadas essências, como a lavanda e o alecrim, que acalmam a mente. Considerações finais

A Acupuntura é um dos elementos que compõem a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), assim como a Massagem, Aromoterapia e Musicoterapia, os quais visam promover a saúde física, psíquica e espiritual do indivíduo. De acordo com Campliglia (2014) e Vectore (2005) a MTC, assim como a acupuntura, se baseia no princípio de que o homem deve estar em harmonia com as forças primordiais da natureza, chamadas de Yin e Yang, os quais são forças opostas e complementares e que compõem todo o Universo. Sendo estabelecida a harmonia, gera um equilíbrio que se traduz em saúde e essa pode ser entendida como fluxo suave de Qi. As Práticas Integrativas apresentam uma lista extensa de vantagens para sua inserção como estratégia de cuidado em saúde mental, de uma vez que apresentam baixo custo, além de resposta rápida e segura.

REFERÊNCIAS

CAMPIGLIA, Helena. Entrevista para o Site Reumatologia Avançada, disponível em: http://www.reumatologiaavancada.com.br/pontos-de-vista/acupuntura/ acesso em 05 de Nov de 2014.

ESPERIDIÃO, A.V. et AL Neurobiologia das emoções – Cefet Química/RJ e UNIFESO, 2007.

MATTOS, Ana Clélia, O emocional na medicina chinesa disponível em: http://www.hottopos.com/notand30/77-86AnaClelia.pdf acesso em: janeiro 2015.

ROSS, J. Zang Fu: sistemas de órgãos e vísceras da medicina tradicional chinesa: funções, inter relações e padrões de desarmonia na teoria e na prática. – São Paulo: Roca, 1994.

TERRA, O.G. Relação entre comportamento agressivo e/ou violento e alterações na neuroimagem: revisão sistemática. Porto Alegre: PUCRS, 2012.

VECTORE, Célia Psicologia e Acupuntura, primeiras aproximações. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2005, 25 (2), 266-285

Sueli Rodrigues

Graduada em enfermagem pela UNESA RJ, especialista em ciência arte e cultura na saúde pelo IOC da Fundação Oswaldo Cruz RJ, formada em Medicina tradicional chinesa pelo Ceata - SP. Enfermeira responsável técnica pelo CAPS infantil de Mauá/SP. Atua como terapeuta holística, oferecendo orientações energéticas e terapias de grupo para questões de sofrimento emocional grave. Dedica-se ao estudo da influência da alimentação em agravos da saúde mental.

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