Vida e gramática: dê lugar à empatia

Primeira questão: 

A primeira pessoa do singular. 

Em qualquer conjugação, em qualquer tempo, em qualquer tipo de ação, lá está o eu. É uma prisão abstrata (gramatical) que, não obstante, se concretiza, tão logo o ego toma para si o protagonismo do ser e do estar, e acha de reinar soberano e soberbo.

O outro é ele. Os outros são eles. Coadjuvantes que facilitam ou atrapalham o brilho que se autoatribui a primeira e única e ímpar e singular pessoa. 

De fato, porém, sob a chancela da gramática, também é possível adicioná-los ao cercadinho egoico, porque ele(s) e eu somos ou fomos ou seremos. Pronto: dessa maneira, eles são convidados a participar do restrito círculo da primeira pessoa.

Segunda questão: 

O plural. 

Se, nesse incensado território do eu, uma porta for aberta – no mínimo, uma janela -, teremos a grata oportunidade de nos reconhecer humanos, inconstantes, temporários… Meras personagens em 3D que, à mercê da suposição de um “destino” especial, pretendemos desempenhar um papel de destaque no teatro da vida (embora sejamos todos, sem exceção, figurantes).

Se, abusando da coragem, retirarmos as lentes que usamos comumente para olhar e, na melhor das hipóteses, ver o mundaréu de gente que nos cerca, perceberemos que, essencialmente, nada nos diferencia nem distingue. Somos todos um e, conforme dizem os gurus, estamos todos conectados. 

Terceira questão: 

Múltiplos e únicos, singulares e plurais. 

Você entende o que digo? Entendo o que você diz? Que você quer? Que quero eu? Você sabe quem sou? Sei quem é você? 

Muita calma nessa hora! 

Ousando exercitar a empatia (me refiro, estritamente, à real competência emocional de nos colocarmos no lugar do outro, sentindo-o), não restarão motivos para divergência, discriminação, desavença, segregação. Haverá espaço para o diálogo, para a busca de entendimento e, quiçá, de aliança. 

A empatia, somada à inteligência, realiza milagres para o convívio, em geral, e para os relacionamentos, em particular. 

Nem primeira, nem terceiras pessoas. Seremos sempre nós.

E fim das questões. 

Bibi Fiuza

No começo, era Maria Beatriz, criatura da safra de setembro de 1948. Dez anos depois, mais ou menos, foi a Kuri que se encantou pelas palavras, desandou a escrever poesia até se tornar, por volta dos 20 anos, a "menina-poeta" de Vinícius de Moraes. Sua história está em seis livros de poemas, mais um em prosa, além das participações em antologias e, recentemente, numa coletânea de contos infanto-juvenis. Em 2011, exatamente, surgiu Bibi Fiúza. Veio para se espalhar no Facebook... Ora, que coisa, não é?! Sabe-se lá por quê -- quem dirá? --, foi ganhando a primazia e, de repente, assumiu bons-dias, boas-tardes, boas-tardes. Maria Beatriz não desapareceu: é a cidadã, com certidão de nascimento, documentos numerados, responsabilidades; estudiosa, formou-se em Psicologia, na falecida Universidade Gama Filho (1973), e em Comunicação, na PUC-RJ (1979). Kuri permanece: é quem existe como eixo identitário, a entidade pensante, falante e brincante. E Bibi... Ah, a Bibi Fiúza! Diz-se matusquela, garante que é má e não presta, presume-se intelectual à moda antiga... Velhinha, lembra, esquece, mistura saberes da vida inteira na cabeça labiríntica. Talvez, agora, não seja mais do que uma Chutóloga dada a Achismos. Eis a sua, a nossa Bibi Fiúza. Muito prazer, gente!

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